quarta-feira, maio 10, 2006

Prisão perpétua para «canibal» alemão

Armin Meiwes, 44 anos, o alemão que em 2001 matou um homem de 43 anos - depois de o atrair através de um anúncio na Internet - e comeu partes do corpo da vítima, vai passar o resto da vida encarcerado. O veredicto do tribunal alemão, que voltou a julgar o «canibal» pelo crime de homicídio doloso, foi conhecido hoje.
Meiwes, agora condenado à prisão perpétua, foi julgado em 2004 e condenado a oito anos e meio de prisão pela morte de Bernd Juergen Brandes. Mas acabou por voltar ao banco dos réus depois que o tribunal da relação alemão determinou novo julgamento. O caso, que chocou a opinião pública internacional, foi transformado em filme por Hollywood, cuja exibição está proibida na Alemanha. «Rohtenburg», realizado por Martin Weisz, tem como protagonista o actor Thomas Kretschmann («King Kong» e «O Pianista»).
Recorde-se que no primeiro julgamento, Armin Meiwes confessou o crime e contou como matou o engenheiro Bernd Juergen Brandes, 43 anos, alegadamente com o consentimento deste. Relatou, também, como congelou o corpo da vítima para o comer ao longo de vários meses.
No novo julgamento, a acusação afirmou que o alemão tinha «m fetiche por carne humana» - característica admitida pela própria defesa - e que ele poderia voltar a atacar.
De acordo com a correspondente da BBC em Berlim Tristana Moore, este foi um dos julgamentos mais sensacionais da Alemanha.
Um vídeo gravado pelo próprio Meiwes - que documenta o crime a passo e passo - prova que o réu matou por prazer sexual.
Em 2001, Meiwes pôs um anúncio na Internet a convidar voluntários para o seu macabro projecto. Brandes terá respondido favoravelmente, concordando não apenas em morrer mas também - pelo que mostra o vídeo - em ser comido por Meiwes.
A detenção de Meiwes só foi possível depois que ele pôs novo anúncio semelhante na Internet, tendo sido então denunciado por um jovem que «navegava» na Net, que advertiu a polícia.

Artigo retirado de Expresso online , 9 de Maio, 2006

Comentário:

O presente artigo suscitou-me especial interesse, devido ao completo desrespeito demonstrado por um valor básico; o direito à vida, que tem como plano de fundo um entrave que, indirectamente constitui, à sobrevivência da espécie humana(ideia devidamente explicitada num dos primeiros artigos da C.R.P.). Também me chamou à atenção a expressão "doloso" que coloquei a negrito e que foi objecto de matéria, referida na aula anterior. De facto, neste contexto, o indivíduo alemão em causa, agiu propositadamente e portanto, possui culpa ou dolo pelos danos, neste caso vitais, causados. Pela situação de dolo apresentada, o indivíduo deverá cumprir uma pena de prisão perpétua.