segunda-feira, maio 08, 2006

Presidente da CIP defende que nuclear não pode ser excluido de debate

O presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), Francisco van Zeller, defende que Portugal não pode excluir a opção nuclear do debate sobre as opções estratégicas em termos de energia. Francisco van Zeller defende no editorial da Revista Indústria, dedicada à questão energética, a inclusão do nuclear no debate nacional, uma discussão que tem sido rejeitada pelo primeiro-ministro, José Sócrates, para esta legislatura.O administrador da ENUPOR - Energia Nuclear de Portugal Pedro Sampaio Nunes defende que sem o nuclear a nossa indústria não poderá ser competitiva com outras economias que têm uma "base significativa nuclear".O presidente da Rede Eléctrica nacional (REN), José Penedos, afirma na mesma edição que Portugal não pode "fechar portas artificialmente"."A responsabilidade que temos para com as gerações futuras impõe-nos a mais serena ponderação de todas as tecnologias disponíveis, em respeito pela segurança, pelos mecanismos de concorrência entre mercados nacionais, cada vez mais facilitada pela emergência de uma nova realidade que será a rede europeia de energia", afirma.Luís Filipe Pereira, presidente da Associação Portuguesa dos Industriais Grandes Consumidores de Energia Eléctrica (APICCEE), refere a necessidade de acelerar e completar a liberalização dos mercados de gás e electricidade para fomentar uma maior concorrência.O administrador da CUF Clemente Pedro Nunes defende também que o nuclear faz parte do "leque de oportunidades da diversificação competitiva", a par da biomassa, da hidroeléctrica e da eólica."Esta alteração de paradigma tem de ter como objectivo a redução dos custos médios expectáveis da produção de energia final", afirmou.O presidente da Enervento, Rui Vieira de Castro, afirma que a opção nuclear deve ser encarada exclusivamente para a produção de electricidade, mas lembra que se em Portugal existissem centrais nucleares, a sua contribuição para o sector dos transportes, que representa cerca de 40% da nossa factura energética seria muito reduzida.Rui Vieira de Castro combate ainda a ideia de que a energia nuclear é barata, afirmando que a opção nuclear nos Estados Unidos foi abandonada, em parte, por causa dos custos."É necessário contabilizar o custo do armazenamento e de eliminação dos resíduos radioactivos e encarar um dado novo, mas de grande importância e de grande impacte no custo da energia produzida, que serão os custos incomensuráveis de protecção antiterrorista".


Comentário: Com a crescente, e constante subida do preço do petróleo com que todos nós nos confrontamos diariamente, torna-se necessário num futuro próximo encontrar uma fonte de energia alternativa que permita uma maior estabilidade económica. Deste modo, será de interesse público que as autoridades nacionais e europeias debatam a questão da energia nuclear, não na forma de armamento mas sim como fonte de energia alternativa e eficaz contra a constante subida petrolífera.